Ao se referir sobre as principais peças dentro de um negócio, é praticamente impossível não destacar o capital humano como uma das principais engrenagens no processo produtivo e criativo de uma empresa.
Essa semana, trouxemos Luci Bellacosa para conversar sobre como conectar pessoas com a estratégia do negócio.
Bom Luci, bom dia em primeiro lugar. Super obrigada pela sua disponibilidade em estar com a gente aqui no
canal da Clave. Para quem não te conhece ainda, deixa eu te apresentar, Luci Bellacosa, ela é vice-presidente
de RH na Ball para a América do Sul.
Antes de começar a bater papo Luci, eu queria que você contasse um pouco para as pessoas quem você é e falar
um pouquinho da sua trajetória.
Oi Débora, bom dia é um prazer falar contigo e com a audiência da clave.
Bom meu nome é Luci Bellacosa, como você me apresentou, eu sou de formação psicóloga, tenho duas
pós-graduações, pós-graduação em desenvolvimento organizacional, e uma pós-graduação em Comportamento Humano e
tenho também um MBA em Business, que eu achei que em determinado momento era importante eu fazer esse caminho.
Minha trajetória de Recursos Humanos vem de longa data. Acho que desde a faculdade quando eu comecei a fazer
estágio e por um acaso eu fiz um estágio numa grande Companhia, a 3M. Eu me inscrevi no programa de estágio e
acabei passando e aí eu entrei nesse mundo organizacional.
Já se foram aproximadamente 33 anos, é uma vida, eu sei, mas eu sempre falo para todo mundo, todo dia quando
eu chego no trabalho eu gosto de me sentir com a experiência dos 33 anos mas com a curiosidade, a excitação e
a motivação de quando eu era estagiária há 33 anos atrás. Isso faz uma big diferença no meu olhar. Eu
realmente gosto do que eu faço, tenho bastante energia no que eu faço, tenho amor, tenho paixão e curiosidade.
Sempre com um olhar de aprendiz, porque sempre vem uma coisa nova.
Por exemplo, a pandemia mudou o olhar de Recursos Humanos. Nos trouxe novos desafios e foi necessário voltar a
ser estagiário nesse processo. Voltar a ser aprendiz, sentar, olhar, aprender, perguntar, conectar com outras
pessoas para a gente poder caminhar nesse novo universo. No que todo mundo está chamando de novo normal.
Que de normal não tem nada não é, Luci? Se a gente olha para isso, não tem nada normal.
Foi anunciado, e isso é público, a mudança do Rio de Janeiro, de algumas áreas para São José dos Campos, até
por uma estratégia do negócio e de proximidade com clientes.
Como foi conduzir um projeto pensando em gente, no meio dessa pandemia toda? Quais foram os principais
impactos pensando em gente?
Foi um grande aprendizado, Débora. Nós criamos um grupo de trabalho onde cada um tinha um papel bastante
definido, o que a gente chama de workstream. Tínhamos o papel de comunicação, o papel financeiro de condição
do projeto, da área de tecnologia da Informação, a parte legal, a parte de people, a parte de mobility das que
estão pessoas mudando e eu era a líder, o executive sponsor do projeto.
Tínhamos um PMO, tínhamos uma agenda de reuniões, tudo muito bem planejado e organizado. E na verdade a gente
iria mudar com o escritório corporativo da América do Sul que estava localizado na Barra, no Rio de Janeiro
para São José dos Campos. Isso envolvia aproximadamente 140 pessoas e nós tínhamos uma meta que nós
gostaríamos, para garantir business continuity, para garantir a segurança do negócio, uma meta de transferir
aproximadamente 80 pessoas ou seja, 80 famílias eram o nosso plano para não ter risco de disrupção de
negócios. Foi tudo muito bem planejado, em março nós faríamos as visitas das pessoas, inclusive a gente estava
convidando gente que ainda não tinha se decidido para conhecer a cidade, fazer um tour, e em março veio a
pandemia. 16 de março veio o lockdown e então tudo parou.
Estávamos com um escritório em construção e aí acho que ter um grupo multidisciplinar foi uma das chaves para
gente olhar para isso e dizer: e agora? Como fica o nosso plano? A área de TI passou a ter um papel super
importante porque a gente começou a olhar tudo virtualmente.
A gente tinha um workstream, uma pessoa, uma líder ali de pessoas que tinha o papel de conectar com as
pessoas. Ela passou a fazer essa conexão virtual com essas famílias, o pessoal de mobility que cuidava da
parte da mudança em si começou a criar a possibilidade dos tours virtuais, inclusive procura de apartamento de
casa, tudo isso pelo virtual. A área de comunicação teve um papel super importante porque a gente começou
entender que a estratégia de comunicação tinha que ser muito mais intensa e muito mais face to face. Conversar
com as pessoas, ainda que utilizando uma ferramenta virtual, é conversar com as pessoas. A gente começou a
fazer reuniões mais constantes com o grupo que viria e com o grupo que estava indeciso para engajar essas
pessoas nesse processo.
Acho que o primeiro ponto foi dizer assim: Olha isso não muda os planos. A gente vai fazer essa mudança. Essa
mudança, a motivação dela é uma motivação do negócio. Isso é melhor para o negócio então o “vamos viver um
futuro juntos” continua em pauta. Isso foi importante comunicar, eu pessoalmente, comunicando a todas as
pessoas.
O segundo ponto, que foi muito importante, foi entender a questão de cada um. A gente conversou com todos os
colaboradores que queriam se mudar para entender como que era a sua situação em termos de filhos, de escolas,
porque as visitas as escolas passaram a ser virtuais então em termos de filhos, de escola, de cônjuge, como
que isso tá para você. Era importante naquele momento ter sensibilidade e empatia, respeitar o timing de cada
um.
Temos ainda um pequeno grupo de funcionários que ainda não fez a sua mudança do Rio de Janeiro, embora para
surpresa minha a maioria o fez. A gente tinha essa meta de 70% de transferência, e a gente atingiu uma meta de
80%. Pessoas que naquele momento estavam indecisas, foi muito interessante ver que essas pessoas ao verem o
cuidado da companhia em fazer essa mudança no meio da pandemia, se engajaram ainda mais. Gente que inclusive
já tinha saído da Ball, tinha decidido que não viria, tinha saído da Ball e tinha ido para outra empresa, me
ligar e dizer eu quero voltar. Posso? Já foi preenchida minha vaga? E a gente acolheu as pessoas que as vagas
ainda não tinham sido preenchidas.
Isso foi um movimento incrível porque as pessoas acabaram se engajando ainda mais nesse projeto de mudança.
Temos muitas pessoas dizendo assim puxa vida, eu já gostava de trabalhar na Ball, a Ball sempre foi uma
empresa que respeitou muito as pessoas, que tem essa coisa de ser orientada para as pessoas, mas em meio essa
pandemia eu percebi que que isso vai além. Cuida das pessoas, cuida da comunidade, então quero continuar nessa
companhia. Em meio a tudo isso, as pessoas fizeram tudo virtual, alugaram casas e apartamentos, fizeram
mudança e estão morando em São José.
Porque com a pandemia eu falei; gente não há necessidade nesse momento, quem quiser pode estender o plano de
mudança até janeiro. Mas eu diria que 90% ou mais de 90% das pessoas que iriam se mudar para São José já o
fizeram.
E tinha ainda a construção em si do novo escritório, porque a gente estava em um prédio novo e nós éramos a
primeira empresa a entrar nesse prédio comercial para fazer uma mudança. Para conduzir daqui e fazer um
escritório a gente se engajou junto com o pessoal do escritório de arquitetura que contratamos. Eu
pessoalmente me envolvi, a gente tem um grupo para fazer isso, mas eu falei vamos lá. A gente ia escolher
cadeira e escolher móveis e os arquitetos fechavam lojas e diziam pode vir e aí íamos na loja fechada para
fazer as escolhas. Escolhas de tinta, fizemos toda a paginação visual com a área de comunicação. Foi uma
jornada que em meio a tantas dificuldades que eu nunca me conectei tanto com as pessoas, nunca me senti ão
próxima das pessoas e nunca me senti tão motivada a liderar esse processo de mudança em meio a tudo isso.
Porque ao invés de olhar a pandemia como uma dificuldade ou um obstáculo, porque em meio a tudo isso como
recursos humanos nós tivemos que cuidar da pandemia em si. Mudar todos os protocolos de segurança de 14
fábricas. Temos 2600 funcionários espalhados de norte a sul no Brasil, ainda Chile, Argentina e Paraguai.
Tivemos que criar todo um protocolo de segurança para o covid, nos engajar com órgãos governamentais,
contratar uma equipe médica para nos auxiliar e auxiliar os nossos colaboradores no sentido de aqueles que
eventualmente ficaram doentes e tiveram que ser internados e acompanhar o estado de saúde deles. Graças a Deus
não tivemos nenhum colaborador que fosse para um quadro mais grave, mas sim tivemos pessoas que foram
internadas e hoje estão todos recuperados e voltando ao trabalho. A gente continua nesse processo de
monitorar, de testar, de dar segurança aos protocolos, a todo protocolo de segurança.
E em meio a tudo isso, acontecendo a mudança, a gente vindo para São José, mudando, construindo escritório e
por incrível que pareça nós fizemos a entrega do escritório no tempo previsto antes da pandemia. Foi no tempo
previsto e o nosso target de 70% de transferência foi superado. Nós tivemos aproximadamente 80% de
transferência das pessoas e as pessoas estão muito felizes aqui em São José.
Isso que eu ia te perguntar, Luci. Porque quando falamos de cultura, são culturas completamente diferentes. A pandemia foi boa porque rompemos barreiras geográficas que já existiam por meio de nossas crenças e paradigmas. Vocês têm algumas ações para monitorar? Acompanhar essas famílias? Você já me contou que o ponto central da sua estratégia é um olhar humanizado. Como está essa adaptação?
A utilização desse escritório também está seguindo um protocolo bastante rígido. Nós criamos alguns critérios
de priorização da utilização do escritório, sendo que um dos critérios é sempre somente 25% de ocupação. Além
do que, nós tivemos que adaptar todo o escritório, colocar os protetores acrílicos, criar todo um processo de
saúde e segurança para as pessoas. E o que a gente percebe que cada pessoa, cada família tem suas
particularidades. Existem famílias que estão com crianças em homeschooling e então essas pessoas estão
optando, embora já tendo se mudado para São José, por não vir para o escritório para poder acompanhar a
criança. As vezes está fazendo essa parceria com o cônjuge, então nós temos essas questões.
Mas todos os que eu tenho conversado de uma forma geral estão adorando estar aqui. Eles estão bem adaptados,
porque eu acho que a grande questão de mudar do Rio de Janeiro para São José, no início era que as pessoas
falaram que o Rio de Janeiro tem uma coisa que São José não tem que é praia. Que é a vivência ao ar livre,
então a vida livre no final de semana no Rio de Janeiro é uma outra coisa.
Eu fiquei lá durante quase três anos e pouco e a gente vê que é uma coisa muito importante, muito valorizada.
Muitas pessoas moram em apartamento, e é uma cidade quente, então sair e ir à praia caminhar, eu mesma eu
sentava às vezes ali na praia para tomar uma água de coco e dizia para o meu marido: olha só a gente senta
aqui e vê pelo menos as pessoas praticando 6 esportes diferentes ao ar livre, sem pagar por isso. As pessoas
tinham isso, mas a pandemia tirou isso delas. Ela tirou essa vivência ao ar livre. As pessoas pensaram, bom se
eu estou em casa aqui eu prefiro estar em casa lá onde eu posso eventualmente ir para um parque com mais
segurança.
E algumas pessoas têm falado muito, relatado muito essa questão de segurança. Nossa eu vou andar todo dia com
meu celular sem me preocupar em ser assaltado, eu tenho feito as minhas caminhadas com celular, então as
pessoas estão bem adaptadas. Lógico sentem falta da família, mas de qualquer de qualquer forma nesse momento
elas não podiam sair e fazer visitas à familiares, estando aqui eu estando no Rio. Eu acho que nesse sentido a
pandemia favoreceu essa adaptação. Evidentemente quando tudo isso acabar as pessoas estarão mais adaptadas em
São José e poderão voltar ao rio aos fins de semana, visitar familiares, enfim.
Os critérios da escolha do local para a gente mudar o escritório, a gente iria mudar para São Paulo. Seria
cidade de São Paulo ou seria nas imediações. Nós fizemos alguns assessments em algumas cidades e São José foi
uma delas já que a gente já tem aqui uma planta em Jacareí e tem um centro de serviços compartilhados já
localizado aqui.
Tinha Campinas e a cidade de São Paulo ali no Itaim, tinha Jundiaí, tinha Indaiatuba e algumas cidades no
entorno de São Paulo. Vários critérios como a proximidade do Aeroporto Internacional e esse tipo de coisa a
gente trouxe para mesa. Valor de mão de obra, boas universidades, uma série de critérios que nós elencamos
junto a uma empresa externa que fez esse assessment, e um dos critérios que a gente colocou foi qual cidade
seria mais fácil as pessoas se deslocarem da cidade para o Rio de Janeiro. Porque a maioria deixaria no Rio
parentes, pais, às vezes filhos em faculdade, e aí São José esse foi um dos critérios, porque São José fica a
uma distância que dá para ir para o Rio dirigindo e voltar no final de semana. Algumas pessoas estão fazendo
isso para poder ver família etc. Tem um aeroporto que tem voos regulares para o Rio de Janeiro também e é
muito próximo do aeroporto internacional de Guarulhos.
As pessoas se sentiram bastante seguras em fazer essa mudança, elas se sentiram seguras por todos os suportes
que a empresa deu durante a mudança, pelo suporte que a empresa tem oferecido na adaptação das pessoas e dos
familiares. Inclusive nós contratamos uma consultoria para ajudar o cônjuge a buscar novas colocações no
mercado para aqueles que teriam interesse em fazê-lo e a consultoria para procura de imóveis.
As pessoas se sentiram muito seguras em fazer essa transição mesmo durante a pandemia e o que eu tenho
conversado é que está todo mundo sentindo muito acolhido na cidade. É uma cidade acolhedora de uma forma
geral. As pessoas estão se sentindo acolhidas, gostam do clima, é uma cidade muito arborizada, tem muitos
parques, e a questão de distâncias todo mundo tem valorizado o bastante. Nossa em 10 minutos eu vou no
escritório, em 10 minutos, nada aqui é mais, demora mais de 10 minutos. Então a mobilidade tem sido uma coisa
que as pessoas têm valorizado bastante junto com segurança e qualidade de vida.
Eu percebo que todos que já se mudaram e temos conversado, se sentem bastante adaptados e melhor do que isso,
tem sentido que a sua vida familiar ficou melhor depois que se mudou. Isso é uma coisa bacana da gente ouvir,
principalmente pela questão da pandemia, então eu fico feliz de ouvir isso das pessoas.
Nós também. Isso me mostra o quanto é possível, principalmente porque a Ball é uma empresa trabalha muito
forte questões de sustentabilidade, inovação, e vocês colocam gente como ponto central dessa estratégia.
Sem gente, sem olhar para cada um de uma forma individualizada, respeitosa, eu não vou conseguir entregar meus
resultados, meu negócio não é sustentável e muito mais que as questões ambientais mas quando você me traz isso
me dá essa sensação de realmente eles colocam a gente como ponto central dessa estratégia.
Agora pensando um pouquinho para frente, pensando nessa visão de futuro existe um direcionador de vocês
chamado Drive for 10, pensando nele, quais tem sido as principais ações relacionadas a gente? Aí estou
pensando para frente, daqui um tempo sim, a pandemia irá acabar, alguém vai achar uma vacina, a gente vai
voltar para uma vida diferente da que a gente tem hoje, mas com muitos aprendizados.
Mas pensando um pouco na sua estratégia de pessoas, quais tem sido as principais ações, o que você vê pela frente que você vai trazer de aprendizados do que você viveu hoje?
Em primeiro lugar a liderança da Ball tem conduzido tudo isso de uma forma muito serena, tomando as decisões
certas, disponibilizando todos os recursos para que as pessoas circulem com segurança nas nossas fábricas.
A gente trabalha com um produto que é um produto essencial, porque ele está ligado a cadeia alimentar. Nossas
fábricas não param nenhum minuto durante todo esse processo, os nossos trabalhadores continuaram indo a
fábrica, supervisores, operadores, mecânicos especialistas, pessoal da engenharia. A gente continuou a fazer
tudo o que a gente fazia antes da pandemia, precisou continuar, isso é uma coisa.
A outra questão é que a pandemia ela trouxe para as pessoas um cuidar-se, um cuidar do meio ambiente, um
pensar diferente e acho que isso está espalhado na maioria das pessoas e o nosso produto é um produto que
conversa com o momento desse. Porque o nosso produto é a embalagem mais sustentável do planeta, infinitamente
reciclável. Porque se a pandemia trouxe algumas questões ligadas também a questão de sustentabilidade do
planeta, então o nosso produto nesse momento se tornou uma preferência do consumidor final.
Por incrível que pareça, as pessoas hoje estão consumindo e elas preferem consumir lata muitas vezes pagando
até mais, mas elas dão essa preferência por conta de um propósito de consumir uma embalagem que 60 dias você
sabe que você vai poder consumir de novo.
E isso trouxe, vamos dizer, um desafio para gente de crescimento enorme. Todos os nossos planos relacionados à
crescimento na América do Sul e no mundo, eles não só se mantiveram agora na pandemia para um futuro próximo,
como eles cresceram em termos de volume.
A gente tem um plano de crescimento que é bastante robusto e quando a gente olha no plano de crescimento, só
existe um jeito de fazer isso, porque a Ball é uma empresa extremamente saudável financeiramente, ela tem
recursos para fazer o funding desse crescimento. Nosso desafio é justamente de pessoas. Preparar as pessoas,
engajar as pessoas, desenvolvê-las, dar ferramentas e mais do que isso, também abrir oportunidades no mercado.
E quando a gente olha esse universo de crescimento é impossível falar e não trazer a questão da diversidade e
inclusão. Dentro dessa estratégia de crescimento nós entendemos que nós só vamos crescer de forma sustentável
se realmente tivermos uma política e uma estratégia de diversidade e inclusão que seja extremamente sólida.
Nós temos ações bastante sólidas sendo construídas para aumentar o nosso entendimento e o desenvolvimento de
pessoas ligadas à diversidade e inclusão, porque diversidade é um dado: tenho tantas mulheres em liderança e
afins, inclusão é outra coisa. Inclusão é você dar ferramentas, oportunidades e entender a problemática. É
olhar qual é a dinâmica do privilégio para poder incluir quem não teve o privilégio.
Temos uma estratégia bastante formatada nesse sentido, do desenvolvimento de liderança olhando para jovens
talentos, temos uma estrutura que a gente chama de Talent Review, que é um processo anual de olhar para os
talentos. Esse talent review vai até gerentes então a gente tá criando um step a mais para entender quem são
os supervisores, especialistas, jovens talentos que poderão, como que a gente acelera o desenvolvimento dessas
pessoas, como que a gente traz mais mulheres para uma operação que tem pouca diversidade em gênero, como que a
gente estimula isso.
Hoje eu tenho trabalhado muito nessa direção, acho que a questão do covid é uma questão que a gente já com
todos os protocolos médicos, equipe médica que contratamos é uma questão que a gente domina mais hoje. Temos
mais conhecimento para lidar com isso, então o nosso olhar hoje é um olhar para o futuro. Engajar as pessoas e
dizer que existe futuro.
Esse futuro ele pode ser muito brilhante para você, você pode ter muitas oportunidades, o nosso produto ele é
um produto vencedor nesse futuro. Acho que eu não poderia estar mais engajada, feliz e motivada pelo que vem
pela frente em termos de pessoas e desenvolvimento de pessoas.
Muito bacana Luci, se a gente fosse estender a respeito do tema diversidade e inclusão, que é um tema que a
gente gosta muito na Clave, ficaríamos muito tempo aqui! Já abrimos até outras pautas falando a respeito
disso, porque é um tema que é realmente importante né?
Diversidade não é mais muito ligado só a questão de raça, de gênero, mas é de que forma eu trabalho a inclusão
de quem é diferente, ultimamente até da minha empresa. Como é que eu faço esse match para promover inovação,
para promover pesquisa, para promover a empresa, a gente ficaria aqui por muitas e muitas e muitas horas.
Mas Luci, até para a gente partir pros finalmente eu queria te agradecer muito pela sua disponibilidade. Acho
que a Ball tem uma história de muito sucesso, a estratégia de pessoas é uma estratégia hoje colocando gente no
ponto central, de uma forma muito respeitosa, de uma forma muito acolhedora, é uma coisa que me faz bem. E a
gente mostra para outros RH’s, olha é possível. É possível ser uma empresa super inovadora, super tecnológica,
mas eu consigo trazer esse lado que é um lado de olhar para gente, gente é que vai fazer parte da minha
estratégia.
E isso me deixa muito feliz também em dar combustível para outras pessoas, porque tem muita gente que fala,
poxa como é que eu começo essa discussão de trazer gente como ponto central da minha estratégia para
justificar para o meu board? Qual a dica? Eu começo por onde?
Isso é tão natural na Ball né, que é até difícil de falar, mas acho que eu já tive outras experiências onde
isso não era tão natural, isso era só um discurso. É difícil falar sobre isso porque é tão óbvio né, está tão
na cara porque numa empresa você compra máquinas, você compra tecnologia, a gente compra conhecimento também.
O dinheiro, o capital, ele compra tudo isso, tecnologia, compra conhecimento, posso trazer aqui os melhores do
MIT, compra matéria-prima, compra até inovação, mas não compra o engajamento, não compra as mentes e corações
das pessoas.
E quando eu falo mente e corações, essa é a definição do engajamento. Quando as pessoas estão mentalmente
presentes naquilo que elas fazem, conectadas e emocionalmente conectadas com a organização e com as outras
pessoas da organização. Eu digo assim, que estratégia bonita boa no PowerPoint, não acontece. Ela só acontece
quando eu engajo as pessoas e reconheço que cada uma pode fazer parte dessa estratégia, quando eu compartilho
essa visão com as pessoas, e ao compartilhar essa visão com as pessoas eu enriqueço a sua a visão, quando elas
trazem a sua a sua criatividade, o seu diverso nessa conversa.
Porque eu digo quando a gente fala em diversidade, diferentes somos todos nós, Débora. Todo mundo é diferente,
todos nós somos todos os diversos. Nós não queremos criar uma empresa que tenha nichos, mulheres, gays,
negros, não, diferentes somos todos nós. Somos fortes na medida em que a gente reconhece que todos são
diferentes, somos diferentes, porém estamos unidos em torno de propósitos comuns. Vai nem de uma visão comum,
mas o propósito tem que ser comum. Porque a visão diferente ela é enriquece o processo.
Maravilha Luci, porque é exatamente isso. O que me move? Como meu proposito individual se conecta com o
propósito da empresa. Começa pelo individual para a gente conseguir olhar para o coletivo.
Luci mais uma vez, super obrigada pela sua disponibilidade, eu espero te ver muitas e muitas vezes aqui no
canal da Clave. Para a gente voltar com outros temas.
Será um prazer Débora, super gostoso. Quando tudo isso terminar você já tem um convite para vir aqui e tomar
um café comigo, com Adriana e com a Taís. Um café não, um refrigerante, um chá, uma água, na lata!
Um grande abraço Débora sucesso para vocês.
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Débora Honda
Atua há mais de 15 anos em projetos de ganho de performance e aprendizagem nos principais setores da economia. Especialista em Mapeamento de Perfil com projetos nacionais e internacionais de transformação do ambiente organizacional. Pesquisadora sobre os impactos da transformação digital no futuro do mercado de trabalho, já auxiliou grandes companhias na construção de suas estratégias de Talent Management.